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01/06/2009

Moradores do Recife optam por condomínios ecologicamente corretos

Iniciativa de separar o lixo orgânico do material reciclável, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, ainda ameniza o problema social dos catadores.

Uma iniciativa de cuidado com o meio ambiente se espalha nos edifícios e conjuntos residenciais do Recife: o projeto do condomínio ecologicamente correto. A ideia é levar a coleta seletiva – ou seja, a separação do lixo orgânico do material reciclável – para todos os moradores do prédio.

O prédio de Lúcia Durão, na zona norte do Recife, já faz parte da iniciativa. Todos os moradores dos 62 apartamentos tomam um cuidado especial com a coleta. Ela diz que os funcionários do edifício foram treinados para separar os resíduos.

“Quando o projeto chegou ao prédio, fizemos um trabalho de conscientização com os funcionários e as empregadas domésticas”, explica. “É muito simples, basta separar o lixo orgânico do reciclável. Além de proteger o meio ambiente, você ainda passa essa consciência para as crianças, que sabem desde pequenas onde jogar o papel do chiclete”.

O urbanista Mark Burr já participou da implementação de 80 condomínios ecologicamente corretos no Recife. “A primeira vantagem é preservação do meio ambiente, a gente está contribuindo para diminuir o aquecimento global”, afirma.

“A segunda é a melhoria social que a gente gera para os catadores. A renda dele quase dobra se trabalharem em quatro ou cinco prédios assim”.

Eles fazem parte de uma associação que reúne 16 catadores (fotos). Todos trabalham na região central do Recife e têm um depósito numa área cedida pela prefeitura. Cada um ganha, em média, R$ 100 por semana com a venda de materiais como plásticos, metais e papelão.

Eles contam com uma máquina para prensagem do material e têm um sonho: comprar um caminhão para poder vender o que recolhem diretamente às indústrias, sem precisar dos serviços de um atravessador. O quilo do papelão, por exemplo, que hoje eles vendem por sete centavos, poderiam vender às empresas pelo dobro desse preço.

Outra dificuldade é que muitas indústrias só se interessam por compras acima de oito mil quilos e, nem sempre, eles atingem esta quantidade num período de duas semanas. Por isso, esses catadores gostam do projeto que estimula moradores de prédios a separar o lixo orgânico do lixo reciclável, quanto mais pessoas aderirem a essa prática mais chances eles têm de aumentar o volume de material e melhorar a renda.

Por enquanto, apenas três catadores do núcleo fazem a coleta em edifícios ecológicos. A maior vantagem é a economia de tempo. Isso porque eles já saem daqui com endereço certo para recolher o material reciclável, em vez de ficar circulando pelas ruas, na dependência da sorte, para encontrar o que pode ser reaproveitado nas indústrias.

Uma vez por semana, Paulo José de Lima vai a dois edifícios onde os moradores já o conhecem. Ele diz que, dessa forma, o trabalho fica bem mais organizado. “O resultado é que a gente não está catando mais no meio da rua, já tem um lugar certo. Toda a semana a gente vai naquele edifício para fazer a reciclagem”, diz.

O ambientalista Sérgio Nascimento, que é presidente da Associação Meio Ambiente Preservar e Educar diz que a coleta seletiva nos edifícios tem grande potencial de gerar mais trabalho e renda. “Se os edifícios implantarem sistema de coleta seletiva, além de combater o desperdício, eles vão gerar receita para esse tipo de empreendimento e saúde ambiental”.

Fonte:
360 graus
   
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